Metaverso: um novo ‘mundo’ de oportunidades para o setor da construção

No primeiro episódio especial do Conversas Construtivas, o especialista em metaverso Igor Hosse fala sobre as possibilidades e o impacto dessa nova realidade nos negócios da construção civil!

Se por muito tempo imaginamos o futuro com tecnologias como carros voadores, hologramas e viagem no tempo, ao observar a realidade cotidiana, hoje, parece que estamos distantes do que foi anunciado por filmes famosos como Blade Runner e ‘De volta para o futuro’.

Pode ser que não tenhamos acertado precisamente as características do futuro tecnológico e automatizado preconizado por Hollywood, mas, com outras nuances, nos aproximamos a cada dia de uma realidade em que a tecnologia proporciona um novo mundo de possibilidades para a vida cotidiana e para os negócios.

Para muito além das mídias sociais e aplicativos, um novo conceito está em evidência. Denominado ‘metaverso’ pelas big tech – empresas que comandam o Vale do Silício e são responsáveis pelos maiores impérios digitais do planeta – esse novo mundo, onde a economia criativa digital encontra organizações e usuários para realizar atividades das mais variadas: lazer, trabalho, estudo e muito mais, promete ser a “próxima etapa” da internet.

No episódio especial do Conversas Construtivas , promovido pela FASSA BARTOLO , trouxemos o especialista em metaverso Igor Rossi para falar sobre as possibilidades e o impacto dessa nova realidade nos negócios da construção civil! Igor é fundador da Evel Schnitzel, empresa de gamificação; professor e coordenador do Game Design Lab da Universidade Anhembi Morumbi; e parceiro da The Global Strategy, empresa de consultoria e treinamentos em novas tecnologias, como blockchain.

Ele explica que o metaverso, como ideia e potencialidade, já existe há algum tempo, com os filmes de ficção científica e jogos de realidade virtual: “Esses contextos tratavam muito de uma fuga da realidade, uma diferenciação entre mundo ‘real’ e virtual. Hoje, com o avanço da tecnologia, temos possibilidades que vão nos levar para esse metaverso, mas de uma forma mais evasiva, interconectada, não é uma ‘outra vida’”.

Segundo o especialista, mesmo que o conceito ainda não esteja tão claro para as pessoas, já é possível perceber características do metaverso na vida cotidiana: realidade aumentada, objetos 3D e os famosos ‘marketplaces’ são alguns exemplos de aspectos que já fazem parte do nosso dia a dia, e que apontam para um futuro no qual as fronteiras entre ‘real’ e ‘virtual’ se tornam cada vez escassas.

Para além das tecnologias mais comuns na rotina da população, outras possibilidades têm crescido em relevância e disponibilidade. Um exemplo é o caso do ‘blockchain’, uma tecnologia descentralizada que permite fazer transações sem que haja uma instituição ou unidade central fazendo o intermédio desses valores.

Nessas transações, são utilizadas as criptomoedas, como o bitcoin, por exemplo, que podem representar itens como roupas, objetos de valor, ingressos e até ações de participação em empresas, dentre muitas outras possibilidades.

Oportunidades para o setor construtivo

Apesar de ainda estarmos no processo de desenvolvimento de tecnologias mais avançadas, que permitam uma imersão de mais qualidade nesse novo universo, já existem diversas possibilidades traçadas para o presente e futuro dos negócios.

No setor da construção, a economia criativa virtual do metaverso pode ser uma grande oportunidade. Desde questões mais simples como o desenvolvimento dos chamados assets– elementos que podem ser vendidos dentro do ‘jogo’ para interação – como móveis, decorações e objetivos de consumo, até a venda de imóveis, terrenos e lojas, que deixam aquele universo muito mais interessante.

A criação de experiências interativas na área de construção, como fazer lançamento de um imóvel, criar um stand de vendas ou realizar tours virtuais, também pode trazer muitos benefícios para o setor.

Outras possibilidades dizem respeito à utilização do blockchain na gestão financeira e comercial: o rastreamento de materiais e suprimentos desde a origem até a chegada, já que esse tipo de transação permite rastrear o caminho do recurso de forma segura, transparente e imutável; nas transações de compra e venda de apartamentos, com a redução de custos e maior agilidade na transferência de propriedade; são apenas alguns exemplos.

O especialista Igor Hosse conta que algumas empresas grandes, com foco no setor da moda e vestuário, como Adidas, Nike e Balenciaga, por exemplo, já começaram a agir dentro do metaverso. “Existem diversas plataformas, centralizadas e descentralizadas, onde isso tudo pode acontecer. A possibilidade de venda dos NFTs, dos terrenos virtuais e a possibilidade de oferecer serviços diversos são questões que precisam estar no radar da indústria da construção”, completa.

Assim como no mercado convencional, as possibilidades do metaverso são muitas, mas, é preciso tomar alguns cuidados. “Geralmente a questão legal é sempre importante, pois esse é um mundo muito novo. Propriedade intelectual e definição de lucros são exemplos de assuntos do metaverso que já são tratados em alguns escritórios de advocacia”, alerta.

Conheça alguns termos-chave para compreender as possibilidades do metaverso

Metaverso (ou ‘metaversos’)

Espaço virtual compartilhado, criado pela convergência entre a internet, a realidade aumentada e a realidade física virtualmente aprimorada. Dentro desse universo a ideia é poder reproduzir e criar espaços e experiências que se assemelham ao mundo ‘offline’, com possibilidades para comercialização de bens e serviços on demand.

Blockchain

‘Livro-razão’ compartilhado e imutável que registra transações de valores ou bens sem a existência de uma unidade central que faça a mediação ou aprovação. Gera um histórico seguro, transparente e descentralizado das transações.

Criptomoedas

Moedas digitais que só existem na internet, a partir de sistemas avançados de criptografia que protegem as transações, criadas em uma rede blockchain. Um exemplo já conhecido é o ‘bitcoin’.

Tokens

Assim como as criptomoedas, também são unidades baseadas em blockchain. Porém, as criptomoedas, geralmente, são usadas para substituir dinheiro físico, enquanto tokens podem representar um ‘ativo’: seja uma propriedade, obra de arte ou dinheiro. Por exemplo: Quando se diz que alguém tem o token de uma propriedade, significa que a pessoa tem direito ao imóvel ou parte dele.

NFT

Traduzido literalmente como ‘token não fungível’, é um tipo especial de token que representa um item único, pertencente a uma só pessoa. Pode ser um imóvel, uma obra de arte, ou outro bem pessoal. Cada NFT é único e, por esse motivo, não pode ser trocado ou negociado por outro igual.

Sobre Igor Hosse

Especialista em Metaverso, graduado em design digital, com pós-graduação em Design de Hipermídia e mestrado em design de jogos em mídia interativa. Fundador da Evel Schnitzel, empresa de gamificação; professor e coordenador do Game Design Lab da Universidade Anhembi Morumbi; parceiro da The Global Strategy, empresa de consultoria e treinamentos em novas tecnologias, como blockchain.

Por Débora Sonergheti