Questões que estão moldando as cidades do futuro

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Shanghai Tower, China. Image Courtesy of GENSLER

Até 2050, a população mundial deverá ultrapassar os 10 bilhões de habitantes, fazendo a superlotação das cidades uma das questões mais prementes da atualidade. A análise de dados, os algoritmos de aprendizado de máquinas, o desenvolvimento de novos sistemas de transporte e a rápida evolução das novas tecnologias estão causando um impacto cada vez maior na maneira com que as pessoas se relacionam com o espaço urbano, algo que influenciará decisivamente o futuro das nossas cidades, e em maior medida, a vida de todos nós.

Este é o contexto no qual a 2ª Edição da Conferência Architecture of the Future foi realizada. Com curadoria do arquiteto ucraniano Dmytro Aranchii, o evento foi celebrado entre os dias 9 e 11 de outubro de 2019, em Kiev, Ucrânia. Com o tema “The Inevitable: Disruptive Technologies Shaping the Future of the AEC Industry”, a 2ª Edição da Architecture of the Future foi a maior conferência já realizada na Europa sobre novas tecnologias, promovendo discussões sobre como as mais recentes inovações na industria da arquitetura e construção estão moldando o futuro.

Após três longos dias de debates, entrevistas, workshops e discussões sobre a arquitetura do futuro (ou o futuro da arquitetura), pudemos identificar sete tópicos principais relacionadas ao destino da nossa disciplina à médio-longo prazo, como cada um deles está moldando a nossa relação com o espaço e de que maneira eles são importantes para o futuro da arquitetura.

1. Mudanças climáticas

A mudança climática é uma das questões mais prementes a se ter em conta quando se fala sobre o futuro da arquitetura e de nossas cidades. A construção e manutenção de edifícios é hoje responsável por 38% das emissões de CO2 relacionadas ao consumo de energia no planeta. Isso tudo nos leva à simples conclusão de que o mais sustentável dos edifícios é aquele que nunca saiu do papel. O reuso adaptativo e a ressignificação de estruturas existentes são algumas das principais tendências a se considerar, uma vez que estas práticas não apenas resultam em uma economia de recursos mas também de tempo, minimizando o impacto da industria da construção civil em termos de emissões de carbono, reduzindo a necessidade de novas construções, como se isso por si só já não fosse um importante argumento.

Edifícios mais eficientes energeticamente também são importantes aliados dos arquitetos em busca da redução das emissões de CO2 relativas à construção e manutenção de edifícios. A indústria da construção civil está passando por uma profunda transformação, catalisada principalmente pela já não tão recente incorporação de tecnologias BIM, as quais nos permitem ter uma melhor compreensão de todo o ciclo de vida de um edifício ou espaço construído e, mais recentemente, pelo surgimento da chamada Internet of Things ou “IoT”.

2. Tecnologias de ruptura

A Quarta Revolução Industrial está se desenvolvendo rapidamente à medida que as interações humanas estão sendo digitalizadas a um ritmo exponencial, fazendo com que as pessoas incorporem as novas tecnologias a um ritmo cada vez mais assustador. A digitalização da indústria da construção é hoje uma das maiores oportunidades para os empreendedores, atraindo a atenção dos principais estudiosos, inovadores e profissionais do ramo da industria da construção civil e da disciplina da arquitetura: o planejamento urbano, a arquitetura e o design são hoje algumas das mais proeminentes áreas de atuação, as quais sem dúvida terão um impacto profundo no futuro da humanidade.

3. Novos materiais construtivos

Todas as considerações anteriormente mencionadas abrem caminho para a criação de um contexto onde a inovação, os novos materiais de construção e as novas tecnologias passam a desempenhar um papel ainda mais fundamental para a industria da arquitetura e construção. A maneira mais inteligente de abordarmos esta questão é de forma sistemática: ao invés de continuar a derrubar as nossas florestas, devastar nossas paisagens e o leito dos nossos rios, deveríamos priorizar estratégias que contemplem a reutilização de nossos próprios resíduos – até hoje um dos principais problemas não resolvidos da industria da construção civil. Algumas das alternativas incluem materiais e compostos reciclados de base sintética, materiais capazes de fixar CO2 (como a madeira), matérias primas de fontes renováveis e finalmente, a biomecânica.

4. Desenho urbano

Construir estruturas mais altas, mais baixas ou mais densas foram algumas das opções analisadas e discutidas durante a conferência em Kiev. Os participantes defenderam teorias muito diferentes sobre a direção que deveríamos tomar em relação ao futuro das nossas cidades.




Esta é uma seleção de conteúdo feita pela Reed Exhibitions Brasil sobre o mercado. Para continuar lendo, visite o site da ArchDaily e leia o conteúdo completo.

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