Concreto, é elétrico!

Etimologicamente, “concreto” vem do verbo latino concrescere, que significa coagular, condensar ou solidificar. Porém, no cotidiano o termo refere-se a um material de construção onipresente, conhecido por sua capacidade de formar um produto rígido, inerte. Ao longo do tempo, cientistas adicionaram melhorias funcionais para o concreto – tais como ingredientes para reduzir a poluição atmosférica – que o tornaram um material multiuso. Porém, a inovação mais surpreendente talvez seja uma gama de tecnologias recentes que permitem que ele gere e armazene energia.

Um bom exemplo sobre essa aplicação é o Dyscrete, painel de concreto pré-fabricado, revestido com células solares orgânicas tintura-sensibilizados (DYSC). Funcionando como a clorofila nas plantas, as tinturas geram eletricidade através de reações eletroquímicas que ocorrem quando iluminadas. De acordo com o fabricante, “até agora, a possibilidade de combinar células DYSC com materiais de construção, tais como o concreto tem sido negligenciada”.

Protótipos preliminares consistiam em uma única camada de corantes orgânicos, que eram difíceis de fabricar e careciam de durabilidade suficiente. A BlingCrete concebeu então um processo de encapsulamento multicamadas que resultou em uma superfície mais robusta. “Ajustando os componentes da tintura e eletrólitos, o sistema de camada pode ser ajustado para a faixa de radiofrequência específica da luz, incluindo as bordas e muito do espectro visível”, afirmam executivos. Além de outras vantagens, o Dyscrete é barato para produzir, sugerindo a possibilidade de adoção rápida na construção mundial.

Em um esforço semelhante, a suíça LafargeHolcim – de materiais de construção – e a alemã Heliatek – especializada em captação de energia solar – juntaram forças para criar um sistema de painéis de concreto arquitetônicos para fachadas com potencial para dobrar o poder de absorção das tradicionais tecnologias solares baseadas nessa premissa.

Tiras de fina película flexível compostas de nanopartículas de carbono depositadas em um substrato PET na superfície dos painéis de concreto conferem desempenho ultraelevados. De acordo com um comunicado de imprensa, se a nova tecnologia compreende, por exemplo, 60% da fachada de uma estrutura comercial de 10 andares, ela irá cumprir 30% das necessidades de energia do edifício. “Com esta solução, proprietários e desenvolvedores de construção, assim como arquitetos e engenheiros poderão atenuar os custos de energia de um edifício enquanto desfrutam dos muitos benefícios de uma solução leve, de baixa manutenção e longa duração”, revela um dos executivos da joint venture.

Além dessas, outras inovações começam a aparecer nesse âmbito, transformando uma substância inerte e estática em um material dinâmico com recursos de geração de energia e armazenamento. Dada a quantidade de produtos de cimento usado globalmente, estas novas capacidades fazem o “poder do concreto” um candidato atraente na área de energias renováveis. Na verdade, o material pode até mesmo superar as tradicionais células solares, considerando que o processamento convencional de polissilício envolve quantidades significativas de energia, emissões e produtos químicos tóxicos.

 

Conteúdo Proprietário – Reed Exhibitions Alcantara Machado
Produção: A4&Holofote Comunicação