Ambientalmente amigável, tão forte e muito mais leve que o aço, com a ajuda da tecnologia ela está ficando cada vez mais eficiente e adaptável. Estamos falando da madeira, tão antiga que os teóricos do século XVIII acreditavam que Adão usou-a para construir a primeira casa fora do Jardim do Éden. Despretensiosa, ela tem sido a opção de sempre quando o assunto é material alternativo supersubstancial e ainda colabora com a retirada do carbono da atmosfera.

Aliada a enorme gama de aplicações que a madeira contempla, a tecnologia reforça seu papel no setor e aumenta possibilidades, como no caso do CLT (madeira laminada), uma ultramadeira compensada, mais forte, rígida e durável, que isola o calor e o som e pode ser pré-fabricada com altos níveis de qualidade e precisão. Mas esse é somente um dos vários produtos que pode ser criado por meio da engenharia madeireira, que tem em comum o uso da ciência para fazer um material natural agir como industrial.

Um bom exemplo de sua utilização foi empregado por Andrew Waugh, do Waugh Thistleton (waughthistleton.com), escritório londrino de arquitetura com visão sustentável, que deixou o concreto de lado e usou a madeira para construir um edifício de nove andares em Murray Grovem, ao norte de Londres. Com uma equipe de apenas quatro carpinteiros, em 27 dias a obra estava erguida, num processo mais calmo, limpo, menos barulhento e com um mínimo de resíduos.

Quem também optou pela utilização da madeira projetada foi Alex de Rijke, da dRMM (drmm.co.uk), ganhador do prêmio Stirling 2017, que usou esse “novo concreto” em boa parte da reconstrução do Pier de Hastings.

Na quota ambiental as vantagens também são notórias. Enquanto uma tonelada de cimento emite quase o mesmo de carbono, a madeira in natura ainda em estado de árvore remove até duas toneladas desse elemento da atmosfera. “Se você tivesse que inventar uma máquina que oferecesse uma fonte renovável de materiais de construção, reduzindo também os níveis de carbono, essa seria uma árvore”, diz Waugh. É claro que para atingir esses ganhos, a construção deve estar de olho no constante replantio, tornando desta maneira a decisão benéfica. A demanda pelo material deve ser também o incentivo para preservação.

Outra vantagem da madeira projetada está na economia orçamentária, o que aliado a outras razões convincentes, deve fazer ultrapassar o 1 milhão de metros cúbicos de CLT, deixando para trás os módicos 2.000 metros de alguns anos anteriores. Novidade no mundo arquitetônico, essa tendência é o maior avanço tecnológico na forma de construir, oferecendo “uma inovadora maneira de conceber imensos arranha-céus, com uma das mais antigas patentes da mãe natureza”, diz Michael Green, arquiteto de Vancouver.

Para profissionais da área, o principal obstáculo da conquista do mundo da construção pela madeira projetada é a educação e conhecimento, já que poucos profissionais compreendem todas as possibilidades envolvidas. Sem contar os céticos, que preocupam-se com a capacidade estrutural que o material teria, como por exemplo na altura de um empreendimento.

Quando algo é capaz de transformar o modo de agir e pensar, melhorando até mesmo o mundo em que vivemos, o ceticismo é uma reação natural. Porém, uma coisa é inegável. Mesmo a grande maioria clamando por mais investigações sobre o assunto, construções de madeira fazem o dia a dia de pessoas ao redor do planeta serem mais felizes.

 

Conteúdo Proprietário – Reed Exhibitions Alcantara Machado
Produção: A4&Holofote Comunicação