O melhor do Brasil na Bienal de Arquitetura de Veneza

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Por Mônica Barbosa

É sempre um prazer falar dos nossos mais brilhantes arquitetos sendo premiados no exterior e mais ainda quando se trata de um mestre. No dia 28 de maio, Paulo Mendes da Rocha recebe o merecido Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra na inauguração da Bienal de Arquitetura de Veneza.

Na minha opinião, essa homenagem é uma honraria do tamanho do talento e da importância do paulista Paulo Mendes da Rocha. Somente outro brasileiro, o arquiteto carioca Oscar Niemeyer (1907-2012) havia sido laureado em 1996 com esse prêmio, que é o maior da mostra italiana.

E foi o arquiteto chileno Alejandro Aravena, diretor da Bienal e primeiro latino-americano a dirigir uma edição do evento, que teve a ideia de escolher Paulo Mendes da Rocha para o prêmio. Em relação ao brasileiro, Aravena diz que “a característica mais marcante de sua arquitetura é ser atemporal. Muitas décadas depois de construídos, cada um de seus projetos resiste ao teste do tempo, tanto esteticamente quanto fisicamente. Essa maravilhosa consistência pode ser consequência de sua integridade ideológica e seu gênio estrutural”.

Aravena conclui seu pensamento afirmando que o arquiteto é “ao mesmo tempo alguém que não se conforma e um realista apaixonado. Seus campos de interesse não se limitam ao mundo da arquitetura e englobam a política, a sociedade, a geografia, a história e a tecnologia. Ele é um exemplo a seguir há muitas gerações de arquitetos no Brasil, na América Latina e em qualquer lugar”.

Aos 87 anos, Paulo Mendes da Rocha é um ícone da geração dos modernistas e por toda sua contribuição já havia faturado, em 2006, o Prêmio Pritzker, considerado o Oscar da arquitetura.

Entre seus projetos mais relevantes estão a criação do Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) e do ginásio do Clube Atlético Paulistano, além da reforma da Pinacoteca e da Estação da Luz, todos em São Paulo, e do Cais das Artes, em Vitória, no Espírito Santo. Recentemente, Mendes da Rocha também elaborou o novo prédio do Museu dos Coches, na capital portuguesa, onde ganhou ainda um título de honra da Universidade de Lisboa, uma das mais tradicionais do país.

Apaixonado pelo o que faz, o arquiteto fomenta a reflexão sobre o setor de arquitetura e construção, diz que “cidade é igual qualidade de vida” e assegura a importância de “cultivar a essência de um lugar”. “O homem faz a cidade com a sabedoria, não só com pedra por pedra e, por isso, podemos trazer uma dimensão humana para a vida urbana”, costuma dizer.

Ele sabe dos desafios do setor, que, segundo ele, são “a visão mercadológica da construção e a especulação desenfreada do espaço urbano sem controle”, mas ainda assim acredita na formação de uma cidade para todos, se assim quisermos. “Arquitetura não surge de uma simples fantasia ou inspiração, há questões de implantação, mecânica do solo, fundações adequadas ao lugar, solicitação do mercado, etc. Ela é um discurso consistente sobre o que há de mais profundo na experiência humana no sentido de habitar esse planeta”, afirma.

foto: Daniel Rocha

MÔNICA BARBOSA é reconhecida como a voz do design no Brasil. Idealizadora e diretora do LIVING DESIGN, a profissional multimídia estreou o primeiro programa de design no rádio no Brasil. Assina a coluna Design na revista semanal Caras e está presente no CarasBlogs, no Anuário de Decoração Caras e na revista mensal Minha Casa. Profunda conhecedora do comportamento estético, do estilo de vida e do morar contemporâneo, a publicitária se especializou em arquitetura e design ao desenvolver projetos de branding para grandes marcas do setor. A partir de 2016, é também parceira da Feicon Batimat, maior feira da construção civil da América Latina.

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